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QUANDO SER OUVIDO PODE MUDAR TUDO

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Dra. Vitória Liduenha e a história de um paciente que chegou ao limite revelam uma reflexão necessária sobre psiquiatria, ciência, acolhimento e o preço de uma sociedade que desaprendeu a desacelerar

Vivemos em uma sociedade que aprendeu a acelerar quase tudo.

O trabalho ficou mais rápido. As respostas precisam ser imediatas. O celular acompanha reuniões, refeições, viagens, relacionamentos e até os poucos momentos que deveriam ser destinados ao descanso.

Dormir pouco virou, para alguns, sinal de produtividade. Estar disponível o tempo inteiro parece comprometimento. Trabalhar até o limite muitas vezes é confundido com ambição.

Mas existe algo que não funciona na velocidade de uma tela: a mente humana.

Por trás de pessoas aparentemente produtivas, bem-sucedidas e capazes de administrar inúmeras responsabilidades podem existir ansiedade, insônia, depressão, esgotamento, dependência, solidão e sofrimentos que não aparecem para quem observa de fora.

Esta é a história da Dra. Vitória Liduenha, médica psiquiatra, mas também é a história de um paciente que, nesta reportagem, será chamado apenas de Marcelo.

Sua identidade será preservada porque o objetivo desta matéria não é expor uma pessoa em seu momento mais vulnerável.

É discutir aquilo que aconteceu quando um paciente chegou ao limite e encontrou uma médica disposta a compreender o que existia além dos sintomas.

CINCO DIAS SEM DORMIR

Marcelo estava havia cinco dias praticamente sem dormir.

A ansiedade havia atingido um nível extremo. O corpo estava exausto. A cabeça já não conseguia organizar pensamentos com clareza.

Trabalho, empresas, projetos, reuniões, internet, telefone, viagens, responsabilidades.

Durante anos, ele havia normalizado uma rotina de intensidade extrema.

Trabalhar.Resolver.Responder.Produzir.Dormir pouco.E começar tudo novamente.Até que o organismo cobrou a conta.

Naquele momento, Marcelo já não enxergava com clareza uma saída para o sofrimento que estava vivendo. Surgiram pensamentos que o assustaram, inclusive sobre não querer continuar vivendo.

Foi nesse contexto que ele encontrou a Dra. Vitória Liduenha.

Existem consultas que terminam com uma receita.

Existem outras que começam com uma pergunta.

Aquele atendimento seguiria por um caminho diferente.

“MARCELO, EU PRECISO FALAR COM A SUA MÃE”

Marcelo contou sua história.

Falou sobre ansiedade.

Sobre trabalho.

Sobre as noites sem dormir.

Sobre o que estava acontecendo dentro de sua cabeça.

E sobre pensamentos que o assustavam.

Em determinado momento, a médica lhe disse:

“Marcelo, eu preciso falar com a sua mãe.”

A resposta foi imediata:

“Não. Minha mãe tem 80 anos. Eu não vou levar essa dor para ela.”

Ele não queria que a mãe carregasse aquele peso.

Mas havia algo importante por trás do pedido da médica.

Diante de um paciente em sofrimento psíquico intenso, compreender sua realidade e identificar pessoas que possam fazer parte de uma rede de apoio pode ser relevante para uma avaliação responsável.

Marcelo então telefonou para Lúcio, um grande amigo que conhecia sua rotina e sabia da intensidade com que ele trabalhava.

A Dra. Vitória conversou reservadamente com ele.

Depois voltou para a sala.

O gesto marcou Marcelo.

Não porque a médica estivesse simplesmente tentando descobrir se sua história era verdadeira.

Mas porque ela estava tentando compreender o que existia além das palavras daquele paciente.

Quem era aquele homem?

Como vivia?

Quem estava ao redor dele?

Quem poderia ajudá-lo?

Até que ponto aquela rotina havia chegado?

UMA REDE COMEÇA A SER CONSTRUÍDA

Ainda havia outra pessoa importante naquela história.

Frederico, produtor e amigo de Marcelo que vive nos Estados Unidos.

Ele conhecia sua trajetória, suas pressões e a intensidade profissional que havia marcado sua vida.

Frederico também conversou com ele naquele momento.

As palavras do amigo trouxeram conforto.

E algo começou a mudar.

No meio de uma crise em que a própria percepção pode ficar profundamente comprometida, Marcelo começou a perceber:

não estava sozinho.

Havia pessoas que o conheciam.

Havia pessoas dispostas a ajudá-lo.

Havia profissionais preparados para tratá-lo.

Havia possibilidades que aquela crise não estava permitindo que ele enxergasse.

Havia amanhã.

QUANDO O PACIENTE DEIXA DE SER APENAS UM SINTOMA

É justamente nesse ponto que a história de Marcelo encontra a visão de medicina defendida pela Dra. Vitória.

Uma de suas frases resume essa filosofia:

“Quando o paciente é verdadeiramente ouvido, o tratamento começa de outra forma.”

Ouvir não significa abandonar ciência.

Não significa substituir diagnóstico por conversa.

Muito menos significa negar a importância dos medicamentos quando eles são clinicamente indicados.

Significa entender que, antes do diagnóstico, existe uma pessoa.

Antes da receita, existe uma história.

Antes do prontuário, pode existir uma família, uma perda, uma rotina exaustiva, um problema financeiro, uma dependência, noites sem dormir, medo, pressão profissional ou acontecimentos que ainda não apareceram claramente durante a consulta.

Por isso, uma avaliação em saúde mental não pode ser reduzida a uma única pergunta:

“Qual é o sintoma?”

Às vezes é preciso avançar:

“O que está acontecendo com essa pessoa?”

A MEDICINA NÃO PODE ESQUECER A PESSOA

Essa reflexão aparece em outra mensagem da Dra. Vitória:

“A medicina não pode tratar apenas o diagnóstico e esquecer a pessoa. Quando um paciente chega em sofrimento psíquico, escutar, avaliar o risco e construir uma rede de cuidado também são atos médicos. Precisamos transformar essa escuta em cultura dentro dos hospitais, clínicas e serviços de saúde.”

A mensagem não deve ser interpretada como uma acusação generalizada aos médicos.

Esse não é o propósito desta reportagem.

Existem profissionais trabalhando sob enorme pressão, serviços sobrecarregados e realidades muito diferentes dentro da saúde brasileira.

A discussão é mais profunda.

Como preservar a humanidade dentro da medicina?

Como reconhecer um paciente em risco?

Como combinar evidência científica, diagnóstico, medicamentos quando necessários, acompanhamento e atenção à história individual?

E principalmente:

como garantir esse cuidado também para quem não pode pagar uma consulta particular?

Porque saúde mental não pode ser um privilégio.

O PREÇO DE VIVER ACELERADO

A experiência de Marcelo também representa uma realidade que merece discussão.

Existe uma cultura especialmente presente entre empresários, publicitários, artistas, executivos e profissionais digitais que transforma exaustão em medalha.

Dormir quatro horas vira motivo de orgulho.

Responder mensagens de madrugada vira comprometimento.

Nunca desligar o telefone vira competência.

Estar permanentemente ocupado vira símbolo de importância.

Mas o organismo não conhece cargo.

Não conhece patrimônio.

Não conhece seguidores.

Não conhece faturamento.

Ele cobra.

E algumas contas não chegam em dinheiro.

Chegam no sono.

Na ansiedade.

Nos relacionamentos.

Na família.

Na saúde física.

Na saúde mental.

Talvez seja necessário questionar uma cultura que ensina as pessoas a cuidar de empresas, carreiras, clientes e patrimônio, mas muitas vezes deixa o cuidado consigo mesmas para depois.

MAIS DE 720 MIL VIDAS POR ANO

Existe uma razão ainda maior para essa conversa ultrapassar os consultórios.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo.

Isso não significa que essas mortes ocorram simplesmente porque alguém “não foi ouvido”.

Seria cientificamente incorreto reduzir o suicídio a uma única causa.

Trata-se de um fenômeno complexo e multifatorial, que pode envolver fatores psicológicos, sociais, biológicos, culturais e ambientais.

Mas existe uma pergunta que a sociedade não pode deixar de fazer:

quantas pessoas estão sofrendo neste momento sem conseguir pedir ajuda?

Nem todo pedido de socorro vem em forma de grito.

Às vezes ele aparece como isolamento.

Como insônia.

Como ansiedade extrema.

Como irritabilidade.

Como mudança de comportamento.

Como abuso de álcool ou outras substâncias.

Como abandono de atividades.

Ou como uma pessoa que continua sorrindo, trabalhando e dizendo que está tudo bem enquanto enfrenta uma batalha que ninguém ao redor consegue enxergar.

O PRECONCEITO COM A PSIQUIATRIA

Existe ainda uma barreira que precisa ser derrubada.

Para muitas pessoas, procurar um psiquiatra continua associado à ideia de estar “louco”.

Esse preconceito pode afastar justamente quem precisa de atendimento.

Psiquiatria é medicina.

Saúde mental é saúde.

Buscar ajuda diante de ansiedade, depressão, alterações graves do sono, dependência química ou outros sofrimentos psíquicos não deveria representar fraqueza.

Representa cuidado.

Não conhecemos a dor de quem está ao nosso lado apenas olhando sua aparência, seu patrimônio, seu cargo ou suas redes sociais.

Julgar é rápido.

Compreender exige mais.

CIÊNCIA E HUMANIDADE NÃO SÃO OPOSTOS

A preocupação com formação contínua também aparece na trajetória profissional da Dra. Vitória.

Sua participação no Congresso Brasileiro de Psiquiatria representa uma busca por atualização científica, troca de experiências e conhecimento baseado em evidências.

Para ela:

“Cuidar da saúde mental exige responsabilidade, estudo constante e decisões baseadas em evidências.”

Esse ponto é essencial.

Uma medicina humanizada não é uma medicina menos científica.

É justamente o contrário.

É uma medicina capaz de utilizar conhecimento, evidências e protocolos sem esquecer que eles serão aplicados a indivíduos diferentes, com histórias diferentes.

A psiquiatria contemporânea precisa das duas dimensões.

Ciência para compreender.

E humanidade para cuidar.

QUEM CUIDA TAMBÉM PRECISA DE CUIDADO

A própria Dra. Vitória traz outra reflexão importante:

“Cuidar da minha saúde mental me fez uma médica melhor. Porque só consegue cuidar do outro quem também se escuta.”

Médicos também são seres humanos.

Também enfrentam pressão, jornadas extensas, responsabilidades, perdas e situações emocionalmente difíceis.

Uma cultura de saúde mental verdadeiramente madura precisa permitir que inclusive aqueles que cuidam reconheçam seus próprios limites.

Cuidar de si não diminui um profissional.

Pode torná-lo mais consciente da responsabilidade de cuidar do outro.

SAÚDE NÃO É UMA CONTA PARA PAGAR DEPOIS

A história de Marcelo deixa ainda outra reflexão.

Durante muito tempo, nossa sociedade vendeu a ideia de que primeiro é preciso trabalhar, crescer, ganhar dinheiro e construir patrimônio.

A saúde ficaria para depois.

Mas existe uma contradição perigosa nisso.

Uma pessoa pode passar décadas sacrificando sono, alimentação, família, descanso e equilíbrio para construir uma vida que, mais tarde, talvez precise interromper justamente para tentar recuperar a saúde perdida no processo.

Isso não significa abandonar ambição.

Significa redefinir sucesso.

Sucesso também deveria signific conseguir dormir.

Sentar à mesa com a família.

Conversar sem olhar o telefone a cada minuto.

Ter tempo para os filhos.

Conseguir descansar sem culpa.

E perceber quando o próprio corpo ou a própria mente estão pedindo ajuda.

EXISTE VIDA DEPOIS DE UMA CRISE

A história que abriu esta reportagem poderia ter terminado de outra maneira.

Mas não terminou.

Marcelo ainda tem hábitos para mudar.

Ainda precisa cuidar da própria saúde.

Ainda existe acompanhamento.

Ainda existe um processo pela frente.

Uma consulta não resolve sozinha uma condição complexa.

Uma médica não substitui toda uma rede de cuidado.

E nenhuma reportagem deve transformar um profissional em “salvador”.

Mas aquele encontro produziu algo importante.

Possibilidade.

A possibilidade de perceber que uma crise não precisa determinar o final de uma história.

Que tratamento existe.

Que pedir ajuda é possível.

Que construir uma rede importa.

E que continuar também pode ser uma escolha.

QUANDO SER OUVIDO PODE MUDAR TUDO

Talvez seja essa a razão pela qual a Dra. Vitória Liduenha ocupa a capa desta edição especial da ELITH Magazine.

Não pela promessa de uma medicina milagrosa.

Não pela ideia de que existe uma solução simples para todo sofrimento.

E não porque uma única consulta possa resolver todos os problemas de uma vida.

Mas porque sua história profissional e esse encontro específico colocam luz sobre algo que a sociedade precisa discutir.

A medicina evolui.

A tecnologia evolui.

A inteligência artificial evolui.

Os medicamentos evoluem.

Os diagnósticos evoluem.

Mas existe algo que continuará essencial:

enxergar o ser humano que está diante de nós.

Talvez o futuro da medicina seja cada vez mais tecnológico.

Mas ele não pode ser menos humano.

Porque algumas pessoas não conseguem explicar imediatamente aquilo que estão vivendo.

Algumas dores não aparecem em exames.

Alguns pedidos de ajuda não são pronunciados claramente.

E algumas histórias podem mudar quando alguém decide investigar um pouco mais.

Por isso, esta não é uma matéria sobre morte.

É uma matéria sobre vida.

Sobre ciência.

Sobre prevenção.

Sobre acesso ao cuidado.

Sobre menos julgamento.

Sobre tratamento.

Sobre esperança.

E sobre uma ideia que resume toda esta edição:

QUANDO SER OUVIDO PODE MUDAR TUDO

Dra. Vitória Liduenha | Psiquiatra

ELITH Magazine — Edição Especial Saúde Mental | Setembro de 2026

Nota editorial: “Marcelo” é um nome fictício utilizado para preservar a identidade do paciente retratado nesta reportagem. Os relatos atribuídos a ele foram apresentados sob essa condição de anonimato. As falas atribuídas à Dra. Vitória devem ser submetidas à aprovação dela antes da publicação caso não sejam transcrições literais de declarações feitas pela própria médica.

QUER CONHECER MAIS SOBRE A DRA. VITÓRIA LIDUENHA?

Acompanhe a Dra. Vitória e seus conteúdos sobre psiquiatria e saúde mental no Instagram oficial da Dra. Vitória Liduenha.

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